19 de jun de 2011

ANÁLISE DO TEXTO : Normas da fornicação










O autor Ronaldo Vainfas discorre sobre o tema apresentando primeiramente  as práticas ilícitas ,que no discurso da igreja,  eram consideradas condenadas. Em segundo lugar, o mesmo, apresenta  as chamadas práticas lícitas, as toleradas e apoiadas pela elite brasileira e em parte por uma fatia da sociedade.
No período da colônia ibérica, havia um discurso magnífico tanto do estado português sobre as regras práticas e condutas sobre a fornicação, bem com o discurso da igreja em frear algumas práticas como ilícitas, e como transgressoras do sexto mandamento.
No conceito da elite portuguesa e da igreja, o Brasil colônia era uma espécie de terra do prazer, onde regras morais não valiam, e que todos poderiam viver harmoniosamente nos profundos desregramentos em matéria sexual.
Pintava-se um retrato do Brasil, como uma terra exótica, em que os prazeres da carne efervesciam em função das exóticas mulheres, era a terra que imperava a liberdade sexual.
O autor Gilberto Freire questionava  a frouxidão moral na colônia, pois os portugueses criaram tantas leis proibitivas, e quando chegaram na colônia começaram a praticar todos os atos repugnados por suas leis e pelo discurso da igreja sobre a fornicação. Segundo Vainfas o “aparente desregramento sexual dos portugueses funcionava, na prática, como condição inerente ao processo colonizatório e na paradoxal tolerância mal disfarçada pelos poderes empenhados na colonização”.
No século XVI a igreja se esforçava em seu discurso, sobre tais práticas, tanto que tentava incultar a noção do pecado e o sentimento de culpa na vida dos colonos.
Neste período, ainda surgiu tanto no Brasil colônia como em outros países a controvérsia se a fornicação não era pecado. Se era lícito o homem praticar relação com mulheres que não fosse sua esposa.
A igreja reagiu a tudo isso punindo a todos que nutrissem tais convicções. Abrimos um parêntese para esboçar alguns conceitos levantados pelas autoridades da igreja, em relação ao próprio sexo nos primeiros séculos.
Segundo Orígenes o sexo era algo tão ignominioso e pecaminoso que, num imprudente acesso de zelo, chegou a castrar-se.
Para Agostinho, o ato sexual reabria a ferida espiritual curada na obra de Cristo na cruz, de sorte que o aceitava com extremo rigor apenas no casamento, e que os filhos resultados do relacionamento sexual, trazem consigo a contaminação e o pecado resultante desse ato.
Conforme Jerônimo, o sexo tem uma função puramente animal, e que não há nenhuma ligação entre este e o amor.
Devemos reconhecer que a teologia que esposavam e os conceitos éticos que defendiam como certos foram em grande parte influenciados e formados pelos conceitos errôneos dos seus tempos.
Segundo Vainfas, “pecado e sexo eram ideias associadas”. Este era o discurso da igreja para os “desafiadores” do sexto mandamento, tentando difundir os conceitos da pastoral católica dos tempos modernos.
Havia um discurso, no século XVI em relação a prática da fornicação, que seria permitida se limitassem apenas a homens e mulheres solteiras. Na opinião de outros mais ousados, “não era pecado fazer amor com uma mulher, fosse ela celibatária, virgem ou casada; sem lhe pagar, sem mentir, sem nada lhe prometer, desde que ela o consinta livremente”. Era um discurso que expressava os privilégios masculinos e o legado da península conforme Vainfas.
Em segundo lugar, o autor Vainfas enfatiza as relações sexuais, aceitas como fornicação lícita. Neste caso deitar-se com mulheres “solteiras” não era pecado. O sentido de mulheres “solteiras” naquela época era pejorativo. Eles associavam o termo às mulheres não casadas e que tivessem a disposição que as meretrizes tinham em relação ao sexo.
Meretrizes seria a mulher que recebia pagamento pelas relações, uma profissional do prazer. E a solteira, aquela que praticava somente pelo prazer, sem receber nada em troca. A fornicação lícita era apoiada pelas autoridades públicas, pela própria sociedade e tolerada pela igreja como um meio de salvaguardar a família, já que no discurso da igreja a mulher casada não deveria sentir prazer nas relações sexuais e sim, as mulheres desregradas. E também para preservar o próprio matrimônio.
Para alguns líderes eclesiásticos, em suas falas ensinavam que Deus exigia abstinência sexual em todos os dias santos. E além disso, os casais eram aconselhados a não manterem relações sexuais às quintas-feiras, por ser o dia em que Cristo fora preso; nem as sextas-feiras, em honra de sua crucificação; aos sábados, em da virgem Maria; aos domingos, pela ressurreição de Jesus, e às segundas-feiras, em respeito às almas falecidas (sobrando apenas terça e quarta).
A igreja procurava controlar cada faceta da vida do homem, não deixando ao indivíduo a menor liberdade.
Felizmente, a reforma protestante contribuiu no que diz respeito à ruptura de alguns dogmas, e a uma concepção coerente em relação ao sexo.



BIBLIOGRAFIA



VAINFAS, Ronaldo. Trópico dos Pecados: ZAHAR, Volume 1: 1994, Rio de Janeiro.


TIM, Beverly Lahaye. O ato conjugal: Editora Betânia. 8ª Edição: 1989, Minas Gerais.

Um comentário:

Jose Bráulio disse...

assunto de muita importância para nós que servimos a Deus!!! parabéns pelos assuntos abordados.